Se tudo o que aconteceu a Jesus se cumpriu segundo as Escrituras, então também nós somos chamados a confiar que Deus atua na nossa história, mesmo quando não compreendemos. Por isso, ao longo desta semana, procuremos reconhecer onde, nas nossas dificuldades, Deus pode estar a transformar o mal em bem, a dor em crescimento, o desânimo em esperança. Como o grão de trigo, também nós somos chamados a “morrer” para aquilo que nos fecha – orgulho, medo, comodismo – para dar fruto. Não se trata de grandes gestos, mas de pequenas decisões diárias – não fugindo à cruz, mas transformando-a em caminho de vida: mantendo a fidelidade mesmo nas dificuldades; ou transformando pequenos sofrimentos em gestos de amor. E, tal como os discípulos na Última Ceia, também nós devemos ter a coragem de perguntar: «Serei eu, Senhor?». Em vez de apontarmos o dedo aos outros, façamos um exame sincero: em que momentos traímos o Evangelho? Quando escolhemos o egoísmo em vez do amor? Quando desistimos de fazer o bem? Porque a Páscoa não termina no domingo: começa agora, em cada escolha nossa.