Somos nós, as nossas pressas e a nossa impaciência. Separam-nos dois mil anos dos Apóstolos, e a carência mantém-se. Também nós perguntamos, desejando concretizações e respostas às nossas expectativas. E Deus, como sempre, permanece silente, mas presente. Agora mais do que antes, porque a presença é mais perfeita, apesar de mais discreta. Esse é o grande Dom no mistério da Ascensão de Jesus. A Sua presença é agora mais próxima e plena. A promessa é clara: «Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos». Que bom seria confiarmos nestas palavras e deixar que o nosso Bom Deus, que sabe em tudo o melhor para cada um dos Seus filhos que tanto ama, cuidasse dos tempos e acontecimentos, segundo a Sua bondade.
De outra forma, restar-nos-á a desconfiança, a inquietação e a ansiedade de querermos tudo controlar, e de esbarrarmos constantemente na frustração de não conseguirmos levar nada a bom porto se a Graça não nos sustentar. As perguntas são sempre legítimas. No entanto, nem sempre pertinentes, porque podem esconder a inconsistência da nossa fé quando o que nos é pedido é a confiança de vivermos abandonados nos braços do Pai que conduz a história.
Queremos fazer por nós, ou queremos abrir mão das falsas seguranças e fazer em Deus?
Padre Miguel Rodrigues