“Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6, 11)

Talvez o aparente, mas esta linguagem não está ultrapassada. Na verdade, é nesta tensão que a nossa vida se vai mantendo: pendemos para a morte, mas participamos de uma vida que permanece para sempre; experimentamos a fragilidade da nossa existência humana, mas sabemos que nos sustém uma incorruptibilidade prometida pela vida em Cristo, na qual fomos mergulhados.

Assim, mais do que lutar contra essa realidade finita que nos abraça (porque a nossa existência humana continua a estar enquadrada pelo drama da morte, que nos alcançará um dia), convida-nos a Fé a viver já a partir de uma certeza nova.

Este horizonte maior, que a fé cristã rasga, há-de encher o nosso coração de esperança, sabendo que, mesmo na experiência do pecado e da infidelidade a Deus, a Graça que nos é concedida há-de ter a última palavra. Assim, já não somos prisioneiros, mas livres. Não porque perfeitos, mas porque unidos Àquele que é o nosso libertador.

O mais importante é garantir que este vínculo, que nos une à fonte da vida, não se rompa; e experimentaremos já hoje, na finitude da nossa vida, alguma coisa dessa eternidade que nos está prometida e que, um dia, será definitiva.

Padre Miguel Rodrigues

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