Como é bom o coração de Deus e a Sua bondade não deve deixar de nos surpreender, uma e outra vez. Só este maravilhamento diante da Sua misericórdia infinita e da medida incondicional do Seu Amor pode começar a transformar as acções demasiado enraizadas nos nossos corações. A nossa justiça humana, por mais natural que nos pareça, está marcada pelo pecado original, impedindo-nos, uma e outra vez, de vivermos como idealizamos (afinal não fazemos o bem que queremos e desejamos, mas o mal que não queremos – cf. Rm 7, 19), ou, melhor dizendo, como a medida alta pedida por Deus à humanidade.
É na experiência do perdão incondicional, na relação pessoal com Deus, que a medida vai sendo interiorizada, até que se torne natural em nós, ou talvez, melhor dizendo, sobrenatural.
Assim, a nossa postura para com os irmãos nunca será de cobrança, mas de entrega desmedida, sem pedirmos nada em troca, porque entenderemos que a nossa distância em relação a Deus e à Sua bondade para connosco é infinitamente maior do que a distância que nos separa dos nossos irmãos. Com esta prática assemelhar-nos-emos ao nosso bom Pai que está nos Céus, exactamente segundo a medida que utiliza com cada um de nós.
Padre Miguel Rodrigues