A passagem da idolatria à liberdade de coração é um exercício para toda a vida. Na verdade, vivemos já como homens e mulheres livres, porque resgatados por Jesus, que por nós viveu o Seu Mistério Pascal. Unidos a Ele de coração, passamos com Ele para o Pai, vivendo uma vida nova como filhos de Deus. No entanto, reconhecemos também a resistência interior que tantas vezes experimentamos, bem como a tentação de ocupar o íntimo do coração com tantas realidades que, não sendo Deus, pretendem oferecer o que só Ele pode dar.
É justamente por isso que, enquanto cristãos, somos chamados a testemunhar, pela coerência de vida, que o nosso coração é indiviso, pertencendo única e exclusivamente ao Senhor. Só assim poderemos usufruir de tudo o resto, sem que nenhuma dessas realidades ocupe um espaço indevido na nossa vida, o que nos poderia levar a experimentar de novo a escravidão de que fomos libertados por tão grande preço.
Olhando com verdade para a nossa vida, que ídolos ainda nos escravizam? Que coisas usurpam lugares indevidos ou consomem tempo excessivo, deixando o coração esvaziado de sentido e sem capacidade para amar mais e melhor?
Padre Miguel Rodrigues