Mais do que qualquer outra coisa, talvez seja esta a identidade mais profunda dos cristãos: aqueles que procuram Deus de todo o coração. Que bom seria que fosse essa a nossa marca distintiva: que o mundo reconhecesse, em cada um de nós, alguém que procura Deus.
Primeiro, porque reconhecemos que essa é a sede mais profunda que nos habita: o desejo de encontrar Aquele que pode saciar-nos verdadeiramente; depois, porque quem procura com ardor torna-se sinal visível de que o mundo talvez não tenha todas as respostas, e de que quem se perde nele acaba por se perder a si mesmo.
Enquanto comunidade cristã, e dando graças a Deus pelo caminho percorrido até agora (afinal, há setenta anos que somos comunidade estável e reconhecida como paróquia), peço humildemente que nunca deixemos de nos assumir como comunidade que procura: comunidade a caminho que, reconhecendo a meta, não deixa de dar os passos necessários para a alcançar e que, nessa procura ardente, deseja elevar consigo o mundo, aproximando-o d’Aquele que a todos nos chama.
Padre Miguel Rodrigues