Sentíssemos nós aquele ardor experimentado por São Paulo, que queria consolar os seus com a Esperança provinda da Fé que o animava. Pedia também que os cristãos se consolassem uns aos outros, e é importante que o façamos, justamente porque não queremos viver como tantos homens e mulheres que hoje caminham sem esperança. É preciso conhecer os novíssimos: que há um Céu preparado para todos, mas que é possível rejeitá-lo, como a parábola deste Domingo tão bem o explicita; que o Juízo acontecerá um dia, quando formos chamados à presença de Deus; e que, nesse momento, a decisão é definitiva e para sempre.
Enquanto cristãos, somos chamados a anunciar a salvação que Deus alcançou para nós em Jesus Cristo, mas devemos também apresentá-la como algo pelo qual temos de lutar todos os dias da nossa vida, de coração vigilante, porque o inimigo anda à nossa volta, como leão que ruge, procurando a quem devorar. Havemos de resistir-lhe, firmes na Fé (cf. 1 Pe 5, 8-9). Não façamos nunca do Céu um direito que nos é devido, mas uma graça à qual é preciso aderir de coração, numa vida coerente que nos permita ser reconhecidos pelo Esposo quando vier ao nosso encontro.
Que pena seria escutarmos da boca do Senhor: «Não vos conheço»… Nessa altura estaremos no chamado «ponto sem retorno», porque é a forma como vivemos cada dia da nossa vida que ditará a nossa resposta final. Não como fatalidade, mas como consequência.
Acolhemos o convite a estarmos vigilantes e atentos, prontos a receber o Senhor quando chegar, para nos fazer entrar no Seu banquete nupcial? O Senhor espera-nos. E nós? Pelo que esperamos?
Padre Miguel Rodrigues