A família continua a ser como que o sacramento da comunhão de Amor que Deus é em Si mesmo. De origem divina, merece a família, da nossa parte, especial cuidado, a fim de a preservarmos como esse lugar único que possibilita e potencia o crescimento de cada ser humano, envolvido em amor, para que a sua identidade se desenvolva e se estruture de acordo com a vontade de Deus.
Conhecemos a complexidade das relações familiares e a forma como, tantas vezes, distanciando-se do sonho inicial de Deus, degeneram em caricaturas que subvertem, por vezes quase em absoluto, essa vocação primeira de serem lugar da experiência do amor e do cuidado de Deus para com todos.
É, assim, urgente voltar ao sonho e ao desejo iniciais: a ordem da família está inscrita na criação e na própria estrutura biológica da família humana. Porém, conhecendo a marca de pecado existente no coração humano, que leva a que as relações tendam a ser feridas pelo egoísmo pessoal, contrário ao amor oblativo que nos atesta como imagem e semelhança de Deus, é urgente que essas relações voltem a estar marcadas pela Caridade divina, que é o vínculo da perfeição. Só esta pode ser uma chave de leitura razoável para compreender a linguagem bíblica da submissão, do amor, da obediência e da não exasperação.
A Palavra de Deus permanece igual a Si mesma, porque, imutável, provém do mesmo Deus, fonte de toda a Verdade e Criador do género humano. Saibamos nós acolhê-la e torná-la viva no seio das nossas famílias, permitindo que comece por transformar, antes de mais, o coração de cada um de nós.
Padre Miguel Rodrigues