“ Assim tereis ocasião de dar testemunho” (Lc 21, 13)

E assim acontece com muitos irmãos nossos que, de forma desassombrada e profundamente coerente, entregam a sua vida como testemunho. Desde os primeiros séculos se atribui ao martírio essa força absoluta do testemunho coerente da Fé — não tivessem ambas as palavras o mesmo significado.

Curiosamente, não é a esses séculos que se atribui o maior número de cristãos mortos por professarem a sua Fé, mas sim ao século XX.

O mártir não é o pobrezinho que sofre, mas aquele que dá testemunho até ao fim, mesmo que para isso seja obrigado a abdicar da própria vida. No conforto do mundo ocidental parece quase abstruso fazer menção a este tipo de defesa da Fé; acontece, porém, que muitos irmãos nossos continuam a viver com esta integridade — e, para os olhares mais atentos, esses testemunhos mantêm viva a Igreja.

Assim o proclamava Tertuliano nos primeiros séculos do Cristianismo: “O sangue dos mártires é semente dos cristãos”; e assim acontece ainda hoje no mundo. Onde alguém está disposto a dar a vida por Jesus e pelo Seu Evangelho, a Igreja permanece florescente, porque a vida coerente — que segue os passos do Mestre até à entrega da própria vida por amor à Verdade — fala mais eloquentemente do que os gestos e palavras adocicados, que há muito perderam o fervor do Espírito.

Padre Miguel Rodrigues

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