Celebrámos a Palavra de Deus no Domingo passado; neste Domingo, alegramo-nos com os seus frutos. A grande promessa de Deus para a humanidade é a felicidade e no coração humano existe esse desejo profundo e interior de que a vida possa ser felicidade, sem adjectivos. Também por isso, o Evangelho mantém todo o seu poder de atracção.
Conhecemos a instrumentalização que este mesmo desejo foi sofrendo, desfigurando e aproveitando aquilo que de Deus existe no coração humano, para, através de outros meios, se tentar corresponder a esse anseio. Esses intentos falharam nas suas promessas, mas a Palavra de Deus mantém as suas. O Senhor quer-nos felizes e realizados; porém, sabe que a felicidade plena não é imediata nem instantânea. Será um dia definitiva, quando vivermos plenamente em Deus, mas, agora, exige luta, esforço e um desejo permanente de recomeço.
Felizmente, o Senhor deixou-nos sinais visíveis dessa felicidade que esperamos, para que os nossos sentidos não se deixem convencer de que já possuímos tudo o que precisamos e para que a nossa vida continue a procurar, com esforço e ânimo, essa felicidade plena para a qual fomos criados.
Agradecemos as vidas consagradas, totalmente entregues a Deus, que nos recordam que fomos feitos para o Céu e que as realidades definitivas ainda nos esperam. Apesar de os nossos pés caminharem no solo quotidiano, os nossos olhos hão-de permanecer voltados para o alto, nesse esforço permanente de não perder o sentido do caminho que percorremos e a sua meta.
Padre Miguel Rodrigues