“Depois, porém, arrependeu-se e foi” (Mt 21, 29b)

Por vezes, mesmo nem sabendo como, habita-nos um desejo profundo de querer agradar, talvez semeado pela nossa sede de sermos olhados e amados. E um impulso surge, inusitado, tal como a resposta fácil e rápida, inesperada, pouco pensada.

Haverá, certamente, inúmeras situações de que nos lembramos, e que até nos possam fazer corar, por terem acontecido simplesmente por causa desse ímpeto que não soubemos controlar. A melhor solução não será escondê-las, nem sequer aceitá-las com resignação, assumindo que nunca teremos domínio sobre nós mesmos.

O caminho que o Evangelho nos propõe é de outra ordem, exigindo-nos maturidade e grandeza de coração. É preciso aceitar, com realismo e verdade, que nem sempre respondemos com gostaríamos, e que isso acontece por vezes por hábito adquirido, por falta de coragem ou de atenção. É preciso reconhecer que o ímpeto nem sempre exprime aquilo que o coração deseja verdadeiramente e, quando falhamos na resposta, a solução é assumir a falta, sem medo.

Este é o primeiro passo do arrependimento, que nos permite regressar ao ponto de partida: ali onde o Pai do Céu nos encontra, porque sempre nos esperou; onde nos abraça e, curando as nossas feridas, nos ensina a voltar a tentar, fazendo do recomeçar o mais importante dos verbos que temos para anunciar ao mundo.

Padre Miguel Rodrigues

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