“Eu soube, meus irmãos, […] que há divisões entre vós […]. Estará Cristo dividido?” (1 Cor 1, 11. 13a)

A cisão e a divisão serão sempre um contra-testemunho no contexto da vida cristã, tal como, no corpo humano, a ferida se apresenta sempre como uma desordem. Todos os membros foram sonhados de acordo com a sua função e presença no corpo, contribuindo assim para a totalidade que nele reconhecemos. Um só membro a menos conduz à desfiguração do corpo, que fica incompleto e ferido no que diz respeito à plenitude de si mesmo.

Assim acontece com o Corpo de Jesus, no qual fomos incorporados por meio do Baptismo. N’Ele, somos chamados a viver em comunhão, trabalhando e contribuindo para que a unidade real se estenda cada vez mais ao Corpo total, até que todas as divisões sejam superadas — não de forma artificial ou cosmética, mas efectiva e verdadeiramente.

Felizmente, Jesus ofereceu-nos o Seu Evangelho, Palavra de ordem que é Sua e profundamente libertadora. A Sua Palavra é clara e permite-nos unir os corações segundo um único e mesmo Evangelho. Não existem dois, mas um só e o mesmo Evangelho, porque a Verdade não se cinde.

Por vezes, a Igreja tem necessidade de aclarar a vida de alguém, mostrando que essa vida demonstra não estar unida ao Corpo de Jesus. Não expulsa, mas torna evidente a separação, a fim de que todo o membro que se tenha separado possa regressar e voltar a tomar parte na comunhão. Na penumbra não é possível regressar, porque se vê de forma difusa e assim se pode permanecer, sem que haja desejo de voltar.

Queira o Senhor iluminar-nos, a nós e à nossa comunidade, para que ninguém seja causa de divisão nem permaneça separado sem o saber. Atentar contra a unidade do Corpo é atentar contra o próprio Senhor; e estar separado d’Ele é viver ausente de vida — um estado que pode, tragicamente, tornar-se definitivo.

Padre Miguel Rodrigues

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