Grande é o mistério da Igreja, sacramento de salvação para todas as gentes. Diziam os antigos Padres que fora da Igreja não haveria salvação, e não se enganavam ao afirmá-lo, ainda que a frase possa soar ‘dura’ aos nossos ouvidos. É a mesma fé que professamos hoje, e é isso mesmo que celebramos neste dia: que a salvação de Deus é anunciada a todos, sem excepção, e que todos são convidados a tomar parte nesta grande família onde cabe a humanidade inteira.
É essa diversidade que Deus quer reunir num só povo, a fim de nos tornar a todos participantes da salvação oferecida pelo Seu Filho – único mediador entre Deus e a humanidade – que hoje é apresentado a todos os povos, sem excepção. Esta universalidade, muito para além de qualquer uniformismo, é antes um desejo sincero e verdadeiro de viver com todos, assumindo a fraternidade que nos une. Fomos tornados filhos no Filho e, por isso, constituídos como irmãos, tendo um único e o mesmo Pai.
Só este caminho pode ser salvador, também para o tempo que vivemos. Recebemos a mesma herança e acolhemos a mesma promessa, mas precisamos de assumir, todos nós, se queremos participar desse mesmo Corpo, que é o de Jesus. Uma coisa é certa: não é possível acolher Jesus e o Seu Evangelho se não desejarmos, de coração, acolher o irmão que nos foi dado como dom pelo nosso Pai que está nos Céus. Em que ficamos, então? Dentro ou fora?
Padre Miguel Rodrigues