“[…] para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (1 Cor 2, 5)

Apesar da razoabilidade da Fé, que nunca deve ser esquecida nem negada, há nela um mistério de simplicidade que lhe subjaz. Talvez por isso os pequeninos sejam apresentados como modelo a imitar, para que o acolhimento perfeito do Evangelho aconteça.

De facto, a Fé, tal como foi proposta pelos Apóstolos — que receberam directamente do Senhor o mandato de a anunciar a todos os povos — não se baseou em características exímias de pregação nem em artifícios humanos de qualquer espécie, mas na certeza do poder de Deus, que sustentava a missão evangelizadora dos enviados com a força do Espírito Santo. Assim, a aparente ineficácia e ineficiência dos próprios pregadores, que ainda hoje escandalizariam os doutores e letrados do nosso tempo, tornaram-se, afinal, ocasião para que a luz própria do Evangelho de Jesus resplandecesse com todo o seu fulgor, denunciando claramente a sua proveniência.

Reconhecer isto requereu — e continua a requerer hoje — essa simplicidade de coração própria dos pequeninos, daqueles de quem é, na verdade, o Reino dos Céus. Aos enviados de hoje: que ninguém se glorie em si mesmo, mas sempre no Senhor. Só Ele é o Senhor da glória e Aquele que resplandecerá hoje, como sempre, através daqueles que, por Ele escolhidos, são também hoje, na sua pequenez, sinal e presença da glória de Deus no meio dos homens.

Padre Miguel Rodrigues

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