Apesar da razoabilidade da Fé, que nunca deve ser esquecida nem negada, há nela um mistério de simplicidade que lhe subjaz. Talvez por isso os pequeninos sejam apresentados como modelo a imitar, para que o acolhimento perfeito do Evangelho aconteça.
De facto, a Fé, tal como foi proposta pelos Apóstolos — que receberam directamente do Senhor o mandato de a anunciar a todos os povos — não se baseou em características exímias de pregação nem em artifícios humanos de qualquer espécie, mas na certeza do poder de Deus, que sustentava a missão evangelizadora dos enviados com a força do Espírito Santo. Assim, a aparente ineficácia e ineficiência dos próprios pregadores, que ainda hoje escandalizariam os doutores e letrados do nosso tempo, tornaram-se, afinal, ocasião para que a luz própria do Evangelho de Jesus resplandecesse com todo o seu fulgor, denunciando claramente a sua proveniência.
Reconhecer isto requereu — e continua a requerer hoje — essa simplicidade de coração própria dos pequeninos, daqueles de quem é, na verdade, o Reino dos Céus. Aos enviados de hoje: que ninguém se glorie em si mesmo, mas sempre no Senhor. Só Ele é o Senhor da glória e Aquele que resplandecerá hoje, como sempre, através daqueles que, por Ele escolhidos, são também hoje, na sua pequenez, sinal e presença da glória de Deus no meio dos homens.
Padre Miguel Rodrigues