Creio que, comummente, não nos esqueçamos de pedir a Deus aquilo que julgamos precisar (nessa atitude quase inata em nós de nos voltarmos para Alguém a fim de manifestarmos os nossos desejos, especialmente no que diz respeito a tudo aquilo que escapa ao nosso controlo), mas talvez já não saibamos como o havemos de fazer bem… Interpela-nos a simplicidade do pedido da samaritana, tal como o Evangelho no-lo relata: «dá-me dessa água». O pedido é simples e desarmante. Ao compreender que Jesus lhe oferecia uma água de vida eterna, que dessedentava para a eternidade aquele que a bebesse, pede-a de imediato, ainda que não soubesse exactamente o que pedia.
Movida pelo desejo de suprir a necessidade material que sentia, verbalizou um pedido que exprimia algo de muito mais profundo e que achou por bem não conter nem refrear. Talvez só depois tenha compreendido essa torrente que sobre ela desceu em resposta ao seu pedido tão cheio de Fé, e que encheu o seu coração da água viva do Espírito, que a levou a anunciar o Messias a todos aqueles com quem se cruzou, cheia dessa vida nova que havia pedido com tanta espontaneidade.
Que o Senhor nos permita identificar a mesma sede que trazemos dentro de nós, e assim aprender a pedir bem: não o que julgamos necessitar, mas o que realmente precisamos para viver. Acolhendo, com simplicidade, essa vida nova com que o Senhor quer inundar a vida de cada um de nós.
Padre Miguel Rodrigues