“Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: ‘Vamos nós também, para morrermos com Ele’” (Jo 11, 16)

Aproximamo-nos a passos largos da Páscoa, que celebramos anualmente como centro da vida litúrgica de toda a Igreja. A proximidade deste momento decisivo da vida de Jesus e, consequentemente, da existência de cada cristão, deve ajudar-nos a predispor o coração para nos unirmos a Ele naqueles que foram os últimos dias da sua peregrinação sobre a terra, dias que O conduzem aos gestos que exprimem o Seu amor pela humanidade, até ao fim.

A expressão de Tomé, talvez pronunciada de forma apressada, no episódio da morte e ressurreição de Lázaro, deixa entrever um mistério profundo acerca do caminho cristão: a necessária identificação da vida de cada um de nós com o caminho de Jesus. Do mesmo modo, no diálogo com Nicodemos, o Senhor já havia deixado patente a exigência de nascer de novo, aludindo à vida nova que brota da Sua Páscoa. Quando somos baptizados, somos mergulhados na morte de Jesus, para n’Ele renascermos para uma vida nova e definitiva.

De facto, se queremos ressuscitar com Cristo, participando na nova criação inaugurada no primeiro Domingo de Páscoa — quando a vitória de Jesus sobre o pecado e sobre a morte se manifesta e se torna acessível a toda a criação — é necessário tomar a decisão interior de seguir os seus passos, unindo-nos a Ele na Sua Paixão e morte. Só assim poderemos participar, com Ele, na plenitude da Sua ressurreição.

Padre Miguel Rodrigues

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