A dúvida de João é curiosa: um homem de oração, próximo de Deus, praticante de jejuns e penitências, que falava em Seu nome, não compreendeu de imediato que, em Jesus, Se manifestava o próprio Deus em Pessoa?
É bom não nos escandalizarmos, porque a dúvida de João é também a nossa… Quantas vezes nos visita o Senhor ao longo do nosso dia e, no nosso entorpecimento e no meio de tantos afazeres, O não reconhecemos?
Diante da pergunta de João, Jesus, em vez de Se indignar, aponta para os sinais que manifestam a chegada do Reino de Deus, que se desenvolvia já em meio de todos, ainda que invisível para tantos. Assim nos diz também a nós: que estejamos atentos aos sinais, ao rasto de Deus que passa pelas nossas vidas, pelo tempo presente.
No primeiro Natal, também um pequeno sinal foi nota do lugar onde deveria nascer o Messias. Quantas estrelas não brilham hoje, ténues, ofuscadas pelo brilho do mundo em que nos movemos, apontando ainda assim os lugares discretos e singelos onde Deus continua a manifestar a Sua presença, para aqueles que ousem reconhecê-l’O?
Padre Miguel Rodrigues